
A noite era aguardada há muito, os bilhetes haviam repousado o suficiente no envelope branco na escrivaninha. A coisa não era para menos, afinal a sorte havia sido descomunal. Conseguir dois bilhetes para a 2ª plateia quando se pensava que já só havia balcão e plateia em pé foi coisa para estar quase ao nível de Euromilhões. Totoloto se calhar. Raspadinha que seja...
À introdução do escanzelado Erlend Oye, que revelou ter jantado por 4€, seguiu-se a música da jovem Javiera Mena,
from Chile, vivaça mas sem entusiasmar. Foi o aperitivo antes do copo de água.
O novo álbum dos Kings of Convenience, Declaration of Dependence, abriu as hostilidades, com três músicas de empreitada antes de se voltar atrás com "Love Is No Big Truth" e "I Don't Know what I Can Save You From".
Revisitados os temas que colocaram os Kings of Convenience com coroa legítima, entre os quais "Homesick", "Know How", "Misread" e uma das da noite, "I'd Rather Dance With You", tempo ainda para o
encore e, ao mesmo tempo, surpresa da noite. Eirik Glambek, o que tem menos ar de
geek, a cantar o "Corcovado", de Tom Jobim.
Por esta altura, já Oye se tinha infiltrado pelo meio da multidão e Eirik convidado duas dezenas de pessoas a cantar e dançar em pleno palco.
Os dois jovens reis da conveniência podem ter aquele ar de totós mas são um prato em palco, chalaceiros até dizer chega mas com tempo para ar sério, como a aversão de Oye a fotografias.
Nota negativa para algumas pessoas. Não é preciso bater palmas a cada som e, mais importante, muito antes da música acabar. Os "Uóó!" e os "Yeaah!" também são desnecessários. Vamos lá ver essa situação, pessoal.
Primeira vez que vi, ao vivo, os Kings of Convenience. Grande concerto numa grande grande noite. Venham mais.