Há uma coisa que as pessoas das aldeias gostam muito de fazer: comer! Sim, é algo tipicamente tuga. O português adora comer. Mas nas aldeias o verbo torna um sentido mais forte. Tudo mas tudo, leva, invariavelmente, para a mesa. Todas as tardes há petisco. E não estamos a falar de comer um rissol. Nada disso! Estamos a falar de lanches leves como cozido, chanfana, ensopados de borrego e por aí fora. E tudo regado com vinho ou cerveja "para ajudar a empurrar para baixo".
Ainda antes do repasto se fala na comida:
"Então, vamos ali comer qualquer coisita? Pago eu!"
"Ai comadre, tenho ali um molho de couves de cramoiço, vou-lhe dar para fazer uma sopita."
"Ai muntó obrigado, para o jantar chega bem. O meu home gosta sempre de comer pouco ao jantar. É uma sopinha de couves, mais um bocadito de pão e queijo e um resto de feijoada que eu lá tenho".
E quando uma pessoa está lá e faz parte de um desses lanches? Come, naturalmente, como pessoa citadina que é, ou seja, pouco e à pressa. Digo-vos já que isso é visto como uma ofensa. Quando dizemos que não queremos mais, as pessoas ficam a olhar para nós como se lhe tivéssemos ofendido a mãe. E toca a meter mais para o prato porque uma pessoa não está ali para se armar em menino, está é para encher a mula.
O que vale é que não tive muitos dias na terra. Caso contrário, é bem possível que tivesse rebentado. E isso ainda me causava algum transtorno...
20 anos que ficam
Há 3 meses



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